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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mãos dadas



Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade

2 comentários:

giulia s. farias disse...

"Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas." *-* Adorei.

Luiza disse...

acho que temos que fazer uso do tempo presente, mas acabamos muitas vezes presos pelo passado ou com a cabeça no futuro, esquecer de aqui nesse tempo que ocupamos, fazer algo.bonito esse poema dele, eu não conhecia. flor, agradeço o carinho que você dá ao blog e te digo ser recíproco. um beijão pra ti